

Segundo turno: pelos direitos e pela democracia
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições de 2026 com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual. O resultado exige mobilização, diálogo e um esforço coletivo para eleger Lula no segundo turno. Está em disputa o futuro dos direitos sociais e da própria democracia brasileira.
Lula tem uma trajetória de políticas públicas que transformaram vidas: Bolsa Família, ProUni, expansão das universidades públicas e dos institutos federais, além da defesa do SUS. As cotas, consolidadas ao longo dos governos petistas, também representam um compromisso com a democratização das oportunidades. Há um projeto de país em que estudar, receber atendimento e viver com dignidade sejam direitos acessíveis a todos. Respeitar o resultado das urnas faz parte desse compromisso democrático. A resposta à votação deve ser organização política, conversa e conquista de votos. Reconhecer a escolha dos eleitores no primeiro turno não significa desistir de disputar, democraticamente, o segundo. O fim da escala 6 por 1 torna essa escolha ainda mais concreta. A proposta aprovada na Câmara e em discussão no Senado prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, com redução da jornada sem perda salarial. Defendida pelo governo e por parlamentares de esquerda, ela significa mais tempo para a família, o estudo, a saúde e a vida. Flávio chamou a discussão de “oportunista” e evitou dizer como votará. Essa posição merece ser cobrada de quem pretende governar o país. Também preocupa sua declaração, em 6 de outubro, de que a nova composição do Congresso permitirá mudar a Constituição. Alterações constitucionais precisam ser examinadas pelo conteúdo, mas essa promessa, vinda de um projeto de extrema-direita, exige vigilância. A Constituição de 1988 nasceu da redemocratização e garante direitos trabalhistas, sociais e individuais. Minha preocupação é que essa força parlamentar seja usada para enfraquecer essas proteções. Chamar o bolsonarismo apenas de “direita” atenua seu histórico autoritário. Jair Bolsonaro foi condenado pela trama golpista e cumpre prisão domiciliar. Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, articulou medidas contra o Brasil e suas autoridades para pressionar o julgamento do pai. São fatos que pesam na avaliação desse projeto político e de seu compromisso com a soberania nacional. Por tudo isso, considero fundamental a vitória de Lula. É hora de somar forças, conversar com quem está indeciso e defender um país com mais oportunidades, tempo para viver e proteção social. A democracia exige respeito ao voto — e exige também disposição para lutar pelos direitos que dão sentido a ela.
Bernardo Parreiras
Enviado por Bernardo Parreiras em 06/10/2026
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