Bernardo Parreiras (ecos prosaicos)

Quem é a prosa para falar da poesia?

Textos

O Estrangeiro, de Albert Camus
Um dos romances mais marcantes do século XX, O Estrangeiro acompanha Meursault, um homem que parece viver à margem das emoções socialmente esperadas. Logo no início, ele é julgado não apenas pelo crime que comete, mas sobretudo por não ter chorado no enterro da mãe — como se a ausência de dor fosse um crime maior do que o próprio ato.

A partir disso, Camus constrói uma narrativa seca, direta e desconcertante, que coloca em cena o absurdo da existência: a vida não oferece sentidos prontos, e o mundo não responde às nossas expectativas de justiça ou lógica moral. É aqui que o pensamento do existencialismo (e sobretudo do absurdo camusiano) aparece com força — o homem está sozinho diante de um universo indiferente.

Meursault não “representa” emoções: ele simplesmente é. E isso o torna insuportável para a sociedade que o julga.

A obra ganhou também adaptações importantes. No cinema, destaca-se Lo Straniero, com Marcello Mastroianni no papel principal, trazendo uma leitura mais visual desse silêncio existencial do personagem.

No teatro, O Estrangeiro também ganhou montagens relevantes, incluindo uma adaptação brasileira que reforça como a obra continua atual — sempre desconfortável, sempre provocadora.

Camus não oferece respostas. Ele expõe o incômodo de existir.
Bernardo Parreiras
Enviado por Bernardo Parreiras em 06/10/2026
Alterado em 06/10/2026


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