

Indicação: Budapeste — Chico Buarque (livro e filme)
Em Budapeste, Budapeste, acompanhamos José Costa, um “ghost writer” que escreve livros para outras pessoas e vive entre identidades trocadas, línguas que não domina e cidades que parecem dissolver sua própria identidade. O romance mergulha na ideia de deslocamento — não só geográfico, mas sobretudo linguístico e existencial: quem somos quando nossa voz não nos pertence?
Chico Buarque, Chico Buarque, constrói uma narrativa seca, elegante e inquietante, em que a linguagem vira tanto refúgio quanto prisão. Budapeste, nesse sentido, não é apenas uma cidade: é um espelho distorcido da subjetividade moderna. A adaptação para o cinema, Budapeste, dirigida por Walter Carvalho, mantém esse clima de estranhamento, apostando em imagens frias e uma atmosfera de desenraizamento. Embora o filme simplifique parte da complexidade do livro, ele traduz bem o sentimento central da obra: a sensação de estar sempre “fora do lugar”. 📌 Por que ler/ver? Porque Budapeste trata de algo muito contemporâneo: a perda de identidade em meio às linguagens, às mediações e às máscaras que usamos para existir. Uma história sobre escrita, solidão e a estranha liberdade de não ser ninguém — ou de ser muitos ao mesmo tempo.
Bernardo Parreiras
Enviado por Bernardo Parreiras em 04/06/2026
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