

Onde estão os paraísos?
Para Ary e Rozane, eternos em nossos paraísos pretéritos. Numa hora um tanto adiantada, pois o sol ainda alto brilhava, vocês subiram a escada - a última e obrigatória - a que leva ao céu ou ao nada. Onde estão os paraísos? Assim que vocês dois partiram para a derradeira subida, a trilha sonora da vida ficou insuportavelmente distorcida. Suas músicas preferidas tornaram-se lamentos de saudade, luto, despedida. Onde estão os paraísos? O tempo - até então um zepelim [voando pro futuro - ficou atordoado, e se transformou em pedras, rolando em direção ao passado. Onde estão os paraísos? A morte é um jeito muito duro de aprender o valor do agora, De cada passo em nossas trajetórias. Promessas de paraísos futuros, Além de falsas e ilusórias, turvam o presente e nossas memórias. Onde estão os paraísos? Um dia, de repente, [a constatação: cinco anos se passaram. Vocês jamais passarão. Nossos paraísos moram [nas lembranças, onde vocês sempre estarão. O (tempo) passado responde, em parte, à insistente questão. Onde estão os paraísos? Revisito suas pegadas Nas minhas memórias e nas lembranças compartilhadas por outros que cruzaram [suas jornadas; e, ainda, na nuvem digital [acessada, na qual pairam suas marcas [virtuais eternizadas: paraísos passados que vencem o nada. Bernardo Parreiras
Enviado por Bernardo Parreiras em 09/10/2019
Alterado em 27/10/2019 Comentários
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