Bernardo Parreiras (ecos prosaicos)

Quem é a prosa para falar da poesia?

Textos

poema impedido
Saliva trocada sem beijo,
corredor polonês pra votação
por suas famílias e com deus
contra os votos da eleição.

Com deus contra o demo,
por deus contra a demo, vamos orar,
por deus contra democracia,
oremos, eles contra o voto popular.

Marcha familiar de adeus ao voto,
pedaladas em cima da lei:
uma punição sem crime:
escolha indireta de um rei.

Deputado sem brilho
Lustra crimes absurdos,
Torturando a história
pra eleitores surdos,
pra pessoas sem memória.

Não era pra lavar tudo?
Agora é “vamos parar em breve”.
A jato limparam só sangue, vermelho,
a ferida aberta e podre segue -
sem notícia interna que a revele.

A justiça nega, adia,
discrimina e muda: 
muda, quando devia falar;
e muda sua interpretação
sem história a zelar.

Ontem, caía a tarde
como um viaduto.
Pedaladas – ciclovia - quedas:
hoje estamos de luto.  
Bernardo Parreiras
Enviado por Bernardo Parreiras em 21/04/2016
Alterado em 21/10/2016


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