

palmeira e nuvem
o negro e o branco,
as ondas e os passos. surge e dança na areia a garça - as vagas são o compasso. dançam à beira do mar num círculo de areia - capoeira. branco e negro, nuvem e palmeira. dos braços lançada ao mar a teia, o veú branco e fluido, a trama puxada pra areia. puxa o corpo negro que arqueia; pés arraigados, lança ao mar a rede: o corpo serpenteia. na areia a garça espera: desejo e medo: o peixe, prata, na trama, deseja a garça: corteja. o medo e o negro nutrem a garça e a dança, num círculo exato: balde, rede, negro, garça, trama que se lança. dançam as ondas, a garça, indo e vindo, medo e desejo, o peixe no balde e o balde na areia. brilha o negro o peixe, o mar, jogada com a rede, a teia, o negro, palmeira ao vento, chicoteia. Dança garça, dança por sua ceia. o mar varre os pés. o negro e a garça, que se lança, que puxa, dança, avança, gazeia. o passo, espaço, espelho: negro e branco, garça e negro, os braços, o bico, o balde, debalde, o peso do negro, a garça, leveza. o bico no peixe palmeira no chão. enquanto voa o branco, pés negros, raízes, presos na areia - alçapão. longe voa a garça com a prata, voa longe branca, nuvem sem direção. o negro dança agora só - entre as vagas, sua teia lança, vazio o balde, longe a garça, a prata brilha esperança.
Bernardo Parreiras e Pedro Oniwlack
Enviado por Bernardo Parreiras em 17/09/2011
Alterado em 20/09/2019 Comentários
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